Monday, December 17, 2007

"Promessas Perigosas": a crítica


David Cronenberg é, muito provavelmente, o mais multifacetado realizador norte-americano. Depois do arrojo temático de "A Mosca" e das fantasias esquizofrénicas de "Exystenz" e "Festim Nú", o cineasta pisa há dois filmes (contando com "Uma História de Violência") o terreno muitas vezes pantanoso do cinema clássico, mesmo que duro e árido. Mas em "Promessas Perigosas", o autor confere-lhe um toque de ternura e romantismo. Algo inusitado em Cronenberg. Mas lá que resulta...

Há uma cena em "Promessas Perigosas" de carácter antológico: uma sequência de luta numa sauna londrina, em que o soberbo Viggo Mortensen (dêem-lhe o Óscar, por favor), totalmente desnudado, se esfola para se manter vivo perante dois membros da máfia russa. Esta cena é ilustrativa do cuidado cénico de Cronenberg, que coreografou a cena sem recorrer a duplos para lhe creditar crueza e realismo. O resultado é espantoso aos olhos do espectador: a sequência não só se delonga em detalhes, como mostra um protagonista que sofre. E bem.

Nesta história sobre pecado e redenção, sobre nascimento e morte (físico e da alma), em que uma parteira descobre o que não devia sobre os meandros da máfia russa em Londres, há quase sempre um prenúncio de tragédia, da sequência inicial à final. Logo a abrir, um barbeiro corta o cabelo a um cliente russo. O sobrinho, com um atraso mental, entra a tiritar pelo estabelecimento e olha em desespero para o tio. Só esse olhar já é o anúncio de que algo vai acontecer e o espectador tem de estar preparado para o que ali vem. A técnica é usada ao longo de todo o filme, mesmo quando as nossas expectativas saem frustradas. Cronenberg faz-nos acreditar, mesmo quando é aparentemente previsível, que a história toma o rumo que imaginámos.

Deixem-me falar-vos dos actores: para terem uma ideia da entrega de Viggo Mortensen ao papel do misterioso motorista do filho do "padrinho" do clã que, muito certamente, lhe valerá no mínimo uma nomeação para os prémios da academia, fiquem a saber que este viajou a Moscovo, Sampetersburgo e aos montes Urais sozinho, embrenhando-se numa cultura e numa língua estranhas. Aprendeu o dialecto siberiano e decorou as suas falas em russo e ucraniano. Sorveu praticamente tudo o que havia para sorver sobre os "vory v zakone" (um grupo da máfia russo). O resultado é uma composição perfeita. Naomi Watts, que não tem o peso do filme ás costas, é como sempre excelente, principalmente na interacção com Mortensen. A atormentada personagem de Vincente Cassel é magistralmente representada. Por isso, se há "ensemble cast" digno de registo este ano, ei-lo. 5 estrelitas

Saturday, December 15, 2007

4 minutos de "Cloverfield"


Os produtores de "Cloverfield" querem redefinir o conceito de filme de monstros. Para já, têm o mérito de terem colocado meio mundo cibernético a discutir a temática da obra. Aqui, ficam quatro minutos da mais pura confusão.

Harry igual a ele mesmo


Eis a primeira imagem de "Harry Potter e o Príncipe Misterioso" (tradução portuguesa, ou "Harry Potter and the Half Blood Prince" no original), divulgada pela Warner Bros.

Wednesday, December 12, 2007

Grande em grande


O trailer de "Youth Without Youth", o regresso do grande Francis Ford Coppola.

Tuesday, December 11, 2007

O insólito acontece

Um produtor norte-americano quer fazer o remake de "Metropolis", o clássico de ficção científica da era do mudo que Fritz Lang realizou com meios financeiros sem precedentes para a altura. A obra é ímpar, já foi restaurada, em 2002, por isso não me parece que uma nova versão, recheada de efeitos especiais e CGI possa criar algum interesse junto de uma nova geração. Para mim, Lang já deu umas boas reviravoltas na tumba...





Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull


O poster já cá canta...

Tuesday, December 4, 2007

Há coisas que não entendo...


É inacreditável: Reese Whiterspoon, aos 31 anos, lidera a lista das actrizes mais bem pagas de Hollywood. A loira sensaborona recebe entre 15 e 20 milhões por filme. Seguem-se:

2. Angelina Jolie;
3. Cameron Diaz - recebe 15 milhões por filme, quando não se trata de dar a voz à princesa Fiona de "Shrek": aí, o cheque vem a dobrar;
4. Nicole Kidman - no ano anterior ocupava a segunda posição, mas esta "leading lady" já não é uma bomba no box-office. Por isso, passou a ser paga entre 10 e 15 milhões de dólares;
5. Renee Zellwegger, a receber o mesmo que as senhoras que se seguem, até à Jodie Foster;
6. Sandra Bullock;
7. Julia Roberts;
8. Drew Barrymore;
9. Jodie Foster (excelente actriz, recebe em média menos 3 milhões que as colegas anteriores)
10. Halle Berry - vale 10 milhões.

Para os fãs de Lynch


Edição especial de coleccionador de "Inland Empire", nas lojas a 7 de Dezembro.
PVP recomendado: 22.95€

Sinopse:
A história de um mistério…
Um mistério por dentro de
Mundos dentro de mundos…
Desdobrando-se à volta de
Uma mulher…
Uma mulher apaixonada
E em apuros

Um filme com: LAURA DERN, JEREMY IRONS, JUSTIN THEROUX, HARRY DEAN STANTON

Disco 1: Filme ■ Trailer ■ Capítulos
Disco 2: «Lynch 2» (30 min) ■ «Pretty as a Picture: The Art of David Lynch» de Toby Keeler (75 min) ■ Rui Pedro Tendinha entrevista o realizador e elenco de «Inland Empire» ■ DVD ROM (Dossier e artigos de imprensa, Fotos)

DVD 9; PAL Zona 2; Formato: 1.78:1; Ecrã 16/9 compatível com 4/3; cor; Duração: 172’; Som 2.0 Dolby Stereo; Língua Original: Inglês; Legendas: Português

Monday, December 3, 2007

Actor é mesmo inseguro

A montagem de "Blindness" ("Ensaio Sobre a Cegueira") está praticamente concluída. Fernando Meirelles, escreve no seu blogue, vai debastar o "juntão" de 2h40 para 2h, para poupar o espectador. São 40 minutos para o lixo, mas que a edição em DVD, com uns pozinhos de extras, vai certamente compensar. Sou, e volto a frisar, um leitor ávido de "Diário de Blindness", onde o cineasta brasileiro vai contando pormenores suculentos com aquela insegurança típica dos grandes artistas. E por falar em insegurança, não resisto a registar aqui os comentários do realizador sobre o comportamento de Mark Ruffalo (na foto com Julianne Moore e Meirelles) durante as filmagens:

"A Julianne parece que gostou da meia hora a que assistiu e só achou que estava meio exagerada numa cena em que ela chora. Fiquei de rever o material. O Mark, como era de se esperar, elogiou o que viu, elogiou a Julianne, mas ficou arrasado com sua própria performance. Típico. “Eu disse que você deveria ter chamado o Sean Penn”, falou. De fato algumas vezes, depois de acabarmos uma cena ele dizia: “Acho que o Sean Penn ainda está disponível, não me ofendo se você quiser me substituir”. Uma daquelas piadas que não são totalmente piada. Já vi muita gente culpada na vida, mas o Mark bate todos os recordes. É pior do que eu.Ontem, o Gael (que deu um olé na imprensa brasileira dizendo que tinha voltado para o México, mas ficou tirando umas férias no Brasil) passou na sala de montagem para ver um pouco do filme e depois de elogiar as performances dos colegas me perguntou se algum ator já havia assistido a alguma coisa. Disse que só o Mark e a Julianne haviam visto algumas cenas. “E o Mark achou que estava péssimo, certo?”, perguntou. Risadas."

Certinhos nos Óscares


Três filmes que estão mais que garantidos na cerimónia dos prémios da Academia.

"No Country for Old Men", de Joel e Ethan Coen


"Eastern Promises", de David Cronenberg


"Charlie Wilson's War", de Mike Nichols

Disney ressuscitada


O filme da Disney de que toda a gente fala...

Thursday, November 8, 2007

A outra face de Mary Poppins


A verdadeira e assustadora Mary Poppins. Não aconselhável a pessoas impressionáveis, e muito menos a criancinhas.

Tuesday, November 6, 2007

Control


A história do enigmático vocalista dos Joy Divison, que cometeu suicídio aos 23 anos. O premiado "Control", de Anton Corbijn, estreia daqui a 15 dias em Portugal.

Quando estacionar, tenha medo...


É noite. Madrugada, mesmo. Estaciona o seu carro numa garagem subterrânea, onde não se avista vivalma. E se um psicopata estivesse à espreita? Quem escreveu P2, com estreia para breve nos EUA, lembrou-se disto...


Sunday, November 4, 2007

"A Invasão": crítica


Valerá a pena sacrificar aquilo que nos define como seres humanos - a emoção -, por um Mundo equilibrado e pacífico? A resposta é ambígua e deixa um sabor a amargo em "A Invasão", um filme competente mas formulaico, apesar das interpretações de grande nível.

As filmagens de "A Invasão", uma reciclagem do já por si multireciclado "The Body Snatchers" não foram tranquilas. Parece que os estúdios não ficaram satisfeitos com o resultado final da obra do realizador alemão Oliver Hirschbiegel ("A Queda") e encomendaram aos irmãos Wachowsky ("The Matrix") a reescrita do argumento e a James McTeigue ("V de Vingança") cenas adicionais que compusessem o filme. Não se conhece se o resultado desta mexida abrupta terá alterado significativamente a obra original, mas mesmo assim a "A Invasão" redunda num filme satisfatório e genuinamente de entretenimento.

Nesta "Guerra dos Mundos" onde Nicole Kidman troca de papel com Tom Cruise, como uma mãe disposta a enfrentar a ameaça alienígena para salvar o filho, há uma nota digna de registo: a montagem é soberba, tornando o filme mais fluido e "suspenseful", com os constantes "forwards". À excepção deste rasgo técnico, tudo o resto é o que já vimos.

Embora ainda agora não esteja certo se Kidman é a escolha mais correcta para este tipo de papel - a actriz é tão "bloco de gelo" que mais parece alinhar pelo bloco extraterrestre -, a australiana oscarizada tem aqui, talvez por essa característica, uma das melhores interpretações da sua carreira. Provavelmente, "A Invasão" não necessita de uma mulher vulnerável, mas cerebral o suficiente para discernir as potencialidades de sobrevivência a contra-relógio. E nisso, Kidman é exemplar.

Ao invés, não se entende muito bem o que faz ali Daniel Craig. Par romântico? Talvez, mas pouco. "Sidekick"? Talvez, mas muito pouco. O actor entra e sai de cena a uma velocidade espantosa - provavelmente, porque foi durante a rodagem do filme que soube que iria substituir Pierce Brosnan como James Bond e ausentou-se para intermináveis reuniões com a família Broccoli. No cômputo geral, é Nicole Kidman que sustenta todo o filme, que poderia ser mais "dark" e viscoso e não tão depurado, high-tech e... azul-cinza. 3 estrelitas

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