Friday, August 3, 2007

Português iluminou "Ratatui" !


"Na maior produtora de cinema de animação do Mundo, a Disney/Pixar, trabalha um portuense. Afonso Salcedo iluminou o universo de “Ratatui”, a última fantasia do estúdio. E não quer ficar por aqui.

Quando se sentar numa sala de cinema para assistir a “Ratatui”, filme de animação que estreia em Portugal a 15 de Agosto, atente nos brilhos, nas sombras e na luz. Detenha-se no reflexo dos copos e dos tachos, no brilho da chama do fogão, na repugnância do lixo, nas vielas sombrias de Paris, onde decorre a história. É que toda esta atmosfera, milimetricamente delineada, tem dedo português. O portuense Afonso Salcedo é um dos elementos do fulcral departamento de iluminação da Disney/Pixar, o gigante responsável por alguns dos filmes de animação mais rentáveis de todos os tempos: “Os Incríveis” e “À Procura de Nemo”, para citar os mais recentes. “Ratatui” é o último produto a sair desta fábrica de fantasia, e um dos mais aclamados do seu extenso e bem sucedido “portfolio”. Só nos Estados Unidos, já rendeu 180 milhões de euros e a crítica tem sido unânime em considerá-lo como umas da melhores obras do estúdio.

No centro nevrálgico desta indústria milionária, Afonso Salcedo é o único português a contribuir para a criação desta fábula que junta homens a ratazanas, por computador, mas a mimetizar a vida ao pormenor. Aos 28 anos, a residir em São Francisco há três, o artista demora uma hora de metro a atravessar a cidade da Golden Gate, a ponte-gémea da 25 de Abril, para abraçar um trabalho de sonho na periferia da metrópole da costa Oeste dos Estados Unidos. “Não há um único dia em que não me sinta sortudo por trabalhar aqui”, diz ao “T&Q”. A ascensão foi vertiginosa. Em Londres, onde estudou, esteve responsável por tarefas “de escravo” na produção dos mega-êxitos “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” e de “Tróia” – “uma experiência incrível”, onde travou conhecimento com gente influente da indústria. Depois, rumou a São Francisco. Sempre com a ambição de um dia atravessar as portas da Pixar. “Nunca pensei que começasse tão cedo”, admite.

Os dois “blockbusters” que trazia no currículo aguçaram a curiosidade dos patrões da produtora e rapidamente começou a trabalhar. Primeiro, nos retoques do filme “Cars” – o “rendering”, na linguagem cinematográfica”–, depois a criar os ambientes através da luz, já em “Ratatui”.“O departamento de iluminação é um dos últimos a intervir num filme de animação. Depois de criados os desenhos, as imagens passam para nós. Criamos luzes, reflexos, sombras, de forma a criar o ambiente final. Temos um director de fotografia, e eu estive sempre à beira a mostrar o trabalho. Recebemos críticas ou orientações constantes: nesta cena, temos a personagem feliz, portanto tem de estar mais colorida”, explica assim a sua função.

Há poucos empregos onde a criatividade é constantemente estimulada, e Afonso tem consciência disso. “Recebemos muitos mimos, tratam-nos bem. Somos motivados a praticar desporto, temos campo de futebol, basquete e piscina. Existe ainda a Pixar University, onde se pode frequentar aulas de cinema, arte ou cerâmica, para evoluirmos como artistas. Temos uma série de regalias para termos motivação”, diz. “E também massagens”, acrescenta, entre risos.Sendo o único português no seio de uma equipa multicultural, acabou por transformar-se num embaixador do País que já só visita uma vez por ano, “para dar um olá aos pais”. “Perguntam-me muito sobre Portugal. Amigos da Pixar já foram aí por minha causa. Sou o único português a trabalhar cá, há bastantes brasileiros e de outras nacionalidades, mas acabou por criar-se um bom ambiente de trabalho. No Mundial, juntamo-nos e estamos todos a torcer pelos nossos países. E por Portugal, claro”, conta.
De cá saiu há dez anos, depois de concluído o ensino secundário na Escola Fontes Pereira de Melo, no Porto. Bastou-lhe assistir a um filme, “O Abismo” (1989), de James Cameron, conhecido pelo inovador efeito de um tentáculo de água, criado digitalmente, para ter a certeza de que era aquilo que pretendia fazer para sempre. Depois, estudou e aperfeiçoou-se em universidades de Londres e Southampton. A saída de casa em direcção ao desconhecido não apoquentou os pais, que continuam a residir no Porto. “Sempre me apoiaram, foram a força maior”. E até já têm a noite de 15 de Agosto planeada: a família vai em grupo assistir à estreia de “Ratatui”, em Portugal.

Afonso, que já visionou a obra uma dezena de vezes, também tem ido às salas para observar a repercussão do seu trabalho. “O que eu mais gosto é de ir ao cinema e ver a reacção das crianças ao filme onde trabalhei. Como o vi várias vezes, fico habituado e não penso na reacção do espectador”.E mal pode esperar para ver o original com dobragem portuguesa. “Deve ser engraçadíssimo, conheço tão bem o filme em inglês, queria ver como é que as piadas foram adaptadas”, diz.Enquanto palmilha um longo caminho para chegar a director de fotografia, vai expondo os seus instantâneos, outra paixão, em cafés de São Francisco. Procura nas fotos “inspiração” para “desenvolver ainda mais a observacao de como a luz cria ambiente e emoções numa imagem bidimensional”, como descreve numa página da Internet onde colocou os seus trabalhos.Regressar a Portugal já é um cenário descartado. “A trabalhar em produções destas, é difícil arranjar tempo. E já não me vejo a viver noutro sítio”.

in "Tal&Qual", edição 03 de Agosto

Thursday, August 2, 2007

O "nosso" Daniel Silva em filme

Daniel Silva, autor de mais de uma dezena de best-sellers, é um dos mais aclamados escritores de espionagem da actualidade. Asseguram os críticos que está ao nível de Graham Greene e John Le Carré. E é luso-descendente. Daniel, de 44 anos, foi adoptado por um casal de imigrantes açorianos e deve ter recebido uma educação exemplar, tão provecta e elogiada é a sua actividade como escritor.

Pois bem, Dan Brown, rói-te de inveja até ao artelho. A Universal Pictures adquiriu os direitos de sete livros de Daniel Silva, para a sua adaptação cinematográfica e vai começar com "O Mensageiro". O filme será realizado por Pierre Morel, que está a terminar a rodagem de "Taken", com Liam Neeson, sobre um antigo espião obrigado a desenferrujar quando a sua filha é raptada.


Tuesday, July 31, 2007

O elogio da "fast food"


Depois de "Obrigado por Fumar", segue-se a análise a outro filme apregoado como "politicamente incorrecto". Aliás, foi este epíteto que me fez adquirir um pack Fnac com os dois filmes, por 19,90. Quem quiser comprar-mo a partir de 15 euros, estou aberto a propostas. Está novinho em folha (foi comprado este fim-de-semana) e não terá mais uso. Depois de lerem, percebem porquê.

"Geração Fast Food" ("Fast Food Nation"), de Richard Linklater, é a adaptação de uma novela de Eric Schlosser que fez meio Mundo vomitar o último Big Mac ingerido. Mas se o livro conseguiu pôr os vegans a regozijarem-se pela sua opção alimentar e até dissuadir muitos americanos de pisarem o terreno ardiloso do fast-food, já o filme sabe a pouco. Tão pouco que hoje tive de almoçar um belo Chicken Mythic. E sem culpas.

O Big One da cadeia de comida rápida Mickey's é o sucesso de vendas da empresa. No entanto, ao serem descobertos coliformes fecais (vulgo merda) nos hamburgueres, um director de marketing responsável pelo lançamento do produto é destacado para uma pequena cidade fronteiriça, onde deverá visitar a fábrica de processamento da carne. O matadouro, onde os trabalhadores quase se afogam em sangue, tripas e dejectos é-lhe vedado. Mas o que vai descobrindo através de antigos fornecedores, repugna-o. Ao mesmo tempo, duas irmãs mexicanas atravessam a fronteira e acabam a trabalhar na fábrica. Uma delas envolve-se com o duro capataz e atravessa um decadente período de toxicodependência, enquanto a outra luta por uma vida melhor. Simultaneamente, uma empregada do Mickey's percebe que a sua vida vai para além dos hamburgueres e junta-se a um grupo de teenagers ecológicos dispostos a denunciar a existência miserável a que estão sujeitos os bovinos.

O que Linklater quis fazer foi aquilo em que Alejandro Gonzalez Iñarritu é mais eficiente: o cruzamento de histórias, conferindo idêntico relevo a cada uma das suas protagonistas. E falha logo aqui: personagens dispensáveis, como a de Patricia Arquette ou de Ethan Hawke, ocupam demasiado espaço a esgrimir trivialidades, enquanto outras, como a de Greg Kinnear, são de extrema importância e desaparecem a meio sem dar cavaco. O resultado é um filme desequilibrado, muito mais interessante do ponto de vista da imigração ilegal do que do fast-food. Que alguma da carne tenha vestígios de merda de vaca, não vem daí mal ao Mundo. Como argumenta a personagem de Bruce Willis - e ficamos convencidos -, com certeza comemos a mesma porcaria no talho da maior confiança. E se um dos empregados do restaurante cospe no pão, com certeza já terá acontecido o mesmo na melhor casa de pasto lisboeta.

Se o objectivo era fazer-nos repudiar o fast-food enquanto conceito puramente economicista, não podia sair mais gorado. A carne até tem bom aspecto e o matadouro não tem pior do que aquilo que imaginamos. Se se pretendia suscitar compaixão pelos mexicanos que entregam os seus corpos e almas a inescrupulosos patrões, em trabalhos aonde mais ninguém quer pôr as mãos, é bem sucedido. Só é pena que Catalina Sandino Moreno, espantosa em "Maria Cheia de Graça", repita aqui o mesmo papel mudo, rígido e impertinente da miúda correio de droga. E que nenhuma das personagens mexicanas, claustrofobizada no meio de tantas participações especiais e estrelas - até Avril Lavigne por lá anda - tenham tempo para criar maior empatia e deixar saudades. 2 estrelitas






A morte é um grande negócio



Os corpinhos de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni ainda estão a arrefecer e já se faz negócio à conta da morte dos cineastas. A Medeia Filmes tomou a dianteira e, sendo distribuidora quase exclusiva em Portugal da obra dos dois vultos maiores da Sétima Arte, programou em tempo recorde um ciclo onde se repõem alguns dos filmes dos realizadores. Se a intuição não me falha, seguem os packs DVD em promoção e a reedição dos livros biográficos. Tudo em breve, antes que os vermes consumam a memória colectiva.

"Na semana em que o cinema perde dois dos seus mais vitais autores, Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, o cinema Medeia King, em Lisboa, repõe, em homenagem, nas sessões da meia noite, “Saraband” o último opus do cineasta sueco, e dois filmes míticos de Antonioni, “Blow-Up – História de um Fotógrafo” e “Profissão Repórter”

Em “Saraband” Ingmar Bergman volta a reencontrar as personagens que Liv Ullman e Erland Josephson personificaram em “Cenas da Vida Conjugal”, num filme que descreve como “um concerto para uma orquestra sinfónica, com quatro solistas”. Trinta anos passaram desde que Marianne e Johan se separaram. Mas quando Marianne sente que ele precisa dela, decide visitá-lo na velha casa de campo onde vive, onde vai encontrar uma família atormentada.
“Saraband” – 00h00 – dias 3, 4 e 06 de Agosto

“Profissão: Repórter", obra-prima de Michelangelo Antonioni, de 1975, junta dois magníficos actores - Jack Nicholson e Maria Schneider - numa história de suspense em que um homem tenta fugir à sua própria vida. Nicholson dá corpo a um jornalista esgotado que troca de identidade com um homem morto.
“Profissão: Repórter" – 00h15 – dias 3, 4 e 06 de Agosto

Baseado num conto de Júlio Cortazar, “Profissão: Repórter" é a história de um fotógrafo que ao deambular num parque tira uma série de fotografias de um casal que se abraça. A mulher repara e exige o negativo do filme em que Thomas, de ampliação em ampliação, descobre um crime.
“Blow Up" – 00h30 – dias 3, 4 e 06 de Agosto"

Fonte: Medeia Filmes

Sunday, July 29, 2007

"Obrigado por Fumar": Correcto?


Antes de iniciar a análise a "Obrigado por Fumar" ("Thank You For Smoking"), deixem-me avisar-vos do seguinte: a virginal Katie Holmes interpreta cenas de sexo - vestida, mas gabam-lhe as mamas durante todo o filme - e profere a expressão "foder" umas tantas vezes. Aproveitem esta oportunidade: a película, produzida em 2005, é pré-nupcial. Agora, casada com Tom Cruise e manipulada pelas estranhas regras da Cientologia, duvido que tão cedo venhamos a ver Katie em semelhantes preparos.

Adaptada do best-seller de Christopher Buckley, "Obrigado por Fumar" é uma obra que aborda a guerra (chamar-lhe-ia histeria fundamentalista) anti-tabágica, de forma politicamente incorrecta. No entanto, não poderia ser um filme mais politicamente correcto. Eu explico. A personagem principal, vice-presidente de uma associação que encomenda estudos nada independentes sobre os efeitos do tabagismo - a conclusão é inevitavelmente "não há provas que o sustentem, apenas evidências, que não são provas" -, vagueia pela história a propagandear o livre arbítrio, a escolha perante o acto de fumar. Critica-se o cinema por ter impedido que os seus peões, vulgo actores, tenham deixado de acender o cigarrinho. Mas em "Obrigado por Fumar", ninguém fuma! Vislumbra-se um filme dos anos 30 na televisão, e Aaron Eckhart a olhar desolado para o maço vazio. Nada mais, além de uns pensos impregnados de nicotina que quase o empurram para a morte.

Tecnicamente, o filme roça a perfeição: o genérico, que aproveita emblemas e pacotes de tabaco, é genial - se bem que um pouco previsível. A narração ao longo da história é pertinente, e a montagem sublime. As interpretações estão acima da média, até o "pé" Eckhart consegue imprimir graça a vender a banha da cobra, cheio de lábia e eloquência. Por outro lado, existem algumas lacunas: o encontro do "Esquadrão da Morte" (o álcool, o tabaco e as armas) resulta em diálogos ingénuos, com pouca pimenta; o drama do filho e da separação, embora conste no livro, era dispensável ou, pelo menos, poderia ser reduzido a mínimos.

Li em qualquer lado que "Obrigado por Fumar" é um filme altamente democrático, sem defender um lado concreto. Mas, para mim, é bastante claro: o governador Finisterre (William H. Macy sempre competente) funciona como vilão, ao querer colocar a etiqueta "Veneno" nos maços de tabaco, e Eckhart passa pelo bonacheirão simpático no meio de uma guerra perversa onde nem sempre o objectivo é dar-nos melhor qualidade de vida. O que não é necessariamente mau: enquanto fumador, irrita-me profundamente esta intifada contra a liberdade individual, e tomei posição logo ao início. É certo que fumar nunca é um acto individual, portanto preferia que os milhões gastos em campanha anti-tabágica fossem canalizados para outras coisas, como aperfeiçoar ou criar uma espécie de tabaco sem fumo. Para que todos possamos ser felizes.
3 estrelitas




Saturday, July 28, 2007

De2cida?

De acordo com o Comic-Con, "A Descida", uma das mais interessantes e surpreendentes obras de terror-fantástico dos últimos anos, vencedora de inúmeros prémios e rodeada por um certo culto, poderá ter uma sequela. Quem aborda essa possibilidade é o próprio realizador, o britânico Neil Marshall, a propósito da estreia do seu novo filme, Doomsday. Só é lamentável que o talentoso cineasta não vá escrever nem dirigir esta continuação.

"Over breakfast talking about his upcoming Road Warrior-esque thriller Doomsday, director Neil Marshall and ShockTillYouDrop.com touched on The De2cent, the upcoming sequel from Celador Films and producer Christian Colson that recently grabbed web headlines over its title.Turns out, the moniker is correct and Marshall is overseeing the follow-up's progress in some capacity - call it quality control.

He will not write or direct, but he does have an open line of communication with the producers. "I've got a few story ideas, they've got a few story ideas and we're just throwing them into the mix," he tells us.One possible direction being mulled over is to pick up with Shauna Macdonald's "Sarah," that is, if she didn't croak at the end of the first film. "Shauna just had a baby so she's not gonna be ready to film for a bit," Marshall adds, then, "['De2cent'] is a ways off."

But there is palpable interest coming from his former leading lady. "She wants to continue the journey a bit more. As far as I'm concerned, there's only one way to take her character, she has to die. If we didn't kill her at the end of the first film, we have to kill her at the end of the second one," Marshall laughs. "So, I don't know - I don't know where we stand yet."

Entretanto, o thriller futurista "Doomsday" já tem o seu próprio site. Basta clicar aqui. E, para quem não viu "A Descida", espreite o trailer.

Friday, July 27, 2007

Quando os grandes se vão

Morreu, aos 54 anos, o actor alemão Ulrich Mühe, protagonista de um dos melhores filmes que estrearam no ano passado: "As Vidas dos Outros", vencedor do Óscar para melhor filme estrangeiro. Mühe não resistiu a um cancro no estômago e sucumbiu na sua casa em Saxony-Anhalt, na Alemanha, este domingo. Mesmo doente, acompanhou sempre o realizador da obra nos principais eventos, incluindo na cerimónia de entrega dos prémios da Academia. Como tributo, um excerto do seu trabalho.

Thursday, July 26, 2007

Segunda rodada


Caso ainda não tenham reparado, abriu nova votação. Desta vez, podem até assinalar mais do que uma opção. Pretende-se escolher que actores e actrizes não deveriam ter sido premiados com o Óscar mas que, por papéis que obrigaram a passar um demaquilhante ou por terem absorvido 2% dos maneirismos das personalidades reais em que se basearam, foram distinguidos pela Academia.

O resultado da anterior sondagem não deixa margem para dúvidas. Os leitores do Movies Confidential decidiram (e bem): "Titanic" é o filme mais sobrevalorizado da História do cinema. Vencedor de 11 Óscares e aplaudido por uma certa franja da crítica internacional, que o apelidou de "triunfo técnico", não deixa de ser um gigante lamechas, com uma história de amor e centenas de "goofs" de bradar aos céus. Ainda hoje não consigo perceber como é que aquele colar permaneceu no bolso de Rose, depois desta ter sido sugada pela força centrífuga de um navio a ser arrastado para as profundezas do oceano.

Em segundo lugar, com a taça de prata, ficou "A Paixão de Shakespeare", que deu o Óscar a Gwyneth Paltrow e a Judi Dench, que surgiu cinco segundos em cena, como rainha Elizabeth I, e mesmo assim foi considerada - e saiu vencedora - na categoria de melhor actriz secundária.
Eis os resultados:

Se7en 0 (0%)
O Padrinho 0 (0%)
The Departed 1 (4%)
Crash: Colisão 1 (4%)
Chinatown 1 (4%)
Titanic 7 (33%)
American Beauty 1 (4%)
Citizen Kane 0 (0%)
Mulholland Drive 2 (9%)
Braveheart 0 (0%)
A Paixão de Shakespeare 4 (19%)
Outro 4 (19%)

"Simpsons": Tão pouco para tantos (crítica)


AVISO: ESTE TEXTO PODE CONTER SPOILERS

"Os Simpsons" ganham em humor e riqueza de detalhes na sua versão cinematográfica. O desenho é depurado, os cenários mais imaginativos e milimétricos e as piadas têm o "timing" correcto. Mas perderam, pela megalomania do argumento, a interacção peculiar com as outras personagens que habitam Springfield. Parece que Matt Groening se esqueceu de que "Os Simpsons" não é apenas uma família amarela, mas sim uma família num contexto particular: o de uma cidade onde a rotina passa pelo bar de Moe, pela central nuclear de Mr. Burns e pela escola de Skinner.

Desta vez, Homer faz asneira ainda mais grossa. Uma profecia na Igreja dita um destino trágico para Springfield e para os seus habitantes. Enquanto Marge tenta juntar as pontas ao quebra-cabeças, o patriarca adopta um porco e negligencia os filhos, principalmente Bart, que começa a considerar que talvez o beato Flanders seja o modelo de pai que sempre desejou ter. Entretanto, graças à intervenção da sempre atenta Lisa, o lago das cercanias da cidade começa a ser despoluído. Mas, instigado pela mulher e a salivar pelos donuts de borla, Homer decide despejar o contentor com excrementos do suíno naquela massa de água, que se transforma numa máquina criadora de mutantes. O Governo declara estado de sítio e decide apagar Springfield do mapa, encerrando-a numa redoma de vidro. É claro que os amigos e vizinhos não vão ficar contentes...

"Os Simpsons" vs Springfield vs governo norte-americano. Assim se poderia chamar esta primeira aventura de Homer, Marge, Lisa, Bart e Maggie no grande ecrã, que formam uma entidade colectiva que, no filme, parece separada das restantes. E o principal problema é o enchente de personagens do universo Simpsons: estão lá todas, incluindo uma nova, e não há quem não tenha direito a segundos ou minutos de fama. O que me leva a acreditar que, a haver uma sequela, e tendo em conta de que a regra é adicionar personagens, não haverá espaço no ecrã para tanta bonecada.

A acumular, o estilo da narrativa, mais próximo das últimas séries do que das primeiras, onde imperavam as características familiares, também não ajuda. E acaba por distorcer algumas das personagens principais: Maggie é mais esperta do que parece ser na série televisiva, Bart mais lamechas e Homer mais cruel. Só Lisa e Marge permanecem iguais a si mesmas.

Obviamente nem tudo é mau: a brincar, a brincar, Groening vai mandando as suas alfinetadas ecológicas e políticas, abordando temas como a corrupção, a incompetência dos líderes da Nação e a descontrolada poluição resultante de interesses puramente economicistas. O governador Schwarzenegger é representado desprovido de massa cerebral e Flanders mostra uma faceta desconhecida, bem longe da de pai de família exemplar. O criador da série e restantes argumentistas não resistem ao auto-gozo: pela primeira vez, vemos a pilinha de Bart e Maggie profere a primeira palavra. Um conselho: não se levantem da cadeira antes do final dos créditos. É que esta gente sabe o que faz e o entretenimento dura mesmo até ao último minuto.
3 estrelitas

Ratatui: Ante-estreia


ANTESTREIA NO CINEMA VASCO DA GAMA, ÀS 10H30, DIA 4 DE AGOSTO.
E com a presença dos actores Diogo Mesquita, Tiago Felizardo, Pedro Caeiro, Pedro Geórgia, Quimbé e o rapper Melo D.
Fonte: Lusomundo

A cor fica-lhe tão bem



Aproveitando uma ideia do Cataclismo Cerebral, eis umas fotos da diva Kim Basinger fotografada por David LaChapelle, esse "especialista da cor e da fantasia" (palavras do autor daquele blogue, que subscrevo).

Wednesday, July 25, 2007

Olha quem voltou! (e podia ter ficado por lá)

"As Crónicas de Sarah Connor" (tradução livre de "Sarah Connor's Chronicles"), um "spin-off" televisivo da trilogia "Exterminador Implacável", estreou este fim-de-semana nos EUA. Não temos Linda Hamilton no papel de mulher de armas, mas uma insonsa Lena Headey (a rainha de "300") a arrumar com os cyborgs vindos sabe-se lá de que futuro. Por outro lado, somos brindados com uma exterminadora adolescente (uma das protagonistas de "Serenity" e "Firefly"), e com um alvo a abater armado até aos dentes com hormonas aos pulos. Os efeitos especiais são de segunda (veja-se o braço do exterminador de metal, parece o homem de lata do "Feiticeiro de Oz"). Diz-me a intuição que isto não vai durar mais do que uma temporada, até por que não se entende muito bem em que altura da narrativa dos filmes aparece esta Sarah Connor sem sal. Mistérios televisivos...


Tuesday, July 24, 2007

Mais dados sobre "Cloverfield"

A odisseia do misterioso filme produzido por J. J. Abrams, pelo qual meio mundo - principalmente o internáutico - anda a salivar, conhece novo capítulo. De acordo com um utilizador de um fórum norte-americano, o poster acima publicado, que representa a estátua da Liberdade decepada, estava exposto numa loja da especialidade que, não rara vezes, põe à venda autênticas preciosidades. O filme chamar-se-á "Monstruous" e o cartaz inclui, em letras brancas, 1-18-08, o título alternativo além de "Cloverfield". O site comingsoon.net já tinha anunciado que a Paramount Pictures havia adquirido o domínio themonstruousmovie.com (por enquanto inactivo), pelo que tudo indica que não se tratará de fraude.


Monday, July 23, 2007

Depois de "Os Simpsons"...

Ainda "Os Simpsons" estão por estrear, e já Seth MacFarlane, o criador de "Family Guy", veio a público anunciar que está mais que certa a adaptação cinematográfica da série que, na minha opinião, não fosse o Stewie e o cão, não teria piadinha nenhuma. "Estamos a magicar a forma de fazer o filme e a série ao mesmo tempo, sem que a série sofra mazelas", disse ao Hollywood Reporter, por estas palavras, mais coisas menos coisa, o autor da produção de animação transmitida em Portugal pela SIC Radical. É claro que, para que tal se concretize, a Fox aguarda ansiosamente pelos resultados de bilheteira do filme baseado nas personagens de Matt Groening. Se for o sucesso previsto, lá temos de levar com os Griffins.

Por falar no Stewie e no canídeo Brian, aqui fica um clip hilariante desta dupla.

Novos "stills" de "The Invasion"



O thriller de ficção científica "The Invasion" estreia a 17 de Agosto e já há por aí dezenas de fotos a circular. As mais recentes mostram uma Nicole Kidman longe da imagem arranjadinha a que nos habituou. É certo que a melena continua impecável, mas há pelo menos meio dúzia de cabelitos fora do sítio, vicissitudes de uma nova condição: a de heroína acidental.

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