Monday, December 3, 2007

Certinhos nos Óscares


Três filmes que estão mais que garantidos na cerimónia dos prémios da Academia.

"No Country for Old Men", de Joel e Ethan Coen


"Eastern Promises", de David Cronenberg


"Charlie Wilson's War", de Mike Nichols

Disney ressuscitada


O filme da Disney de que toda a gente fala...

Thursday, November 8, 2007

A outra face de Mary Poppins


A verdadeira e assustadora Mary Poppins. Não aconselhável a pessoas impressionáveis, e muito menos a criancinhas.

Tuesday, November 6, 2007

Control


A história do enigmático vocalista dos Joy Divison, que cometeu suicídio aos 23 anos. O premiado "Control", de Anton Corbijn, estreia daqui a 15 dias em Portugal.

Quando estacionar, tenha medo...


É noite. Madrugada, mesmo. Estaciona o seu carro numa garagem subterrânea, onde não se avista vivalma. E se um psicopata estivesse à espreita? Quem escreveu P2, com estreia para breve nos EUA, lembrou-se disto...


Sunday, November 4, 2007

"A Invasão": crítica


Valerá a pena sacrificar aquilo que nos define como seres humanos - a emoção -, por um Mundo equilibrado e pacífico? A resposta é ambígua e deixa um sabor a amargo em "A Invasão", um filme competente mas formulaico, apesar das interpretações de grande nível.

As filmagens de "A Invasão", uma reciclagem do já por si multireciclado "The Body Snatchers" não foram tranquilas. Parece que os estúdios não ficaram satisfeitos com o resultado final da obra do realizador alemão Oliver Hirschbiegel ("A Queda") e encomendaram aos irmãos Wachowsky ("The Matrix") a reescrita do argumento e a James McTeigue ("V de Vingança") cenas adicionais que compusessem o filme. Não se conhece se o resultado desta mexida abrupta terá alterado significativamente a obra original, mas mesmo assim a "A Invasão" redunda num filme satisfatório e genuinamente de entretenimento.

Nesta "Guerra dos Mundos" onde Nicole Kidman troca de papel com Tom Cruise, como uma mãe disposta a enfrentar a ameaça alienígena para salvar o filho, há uma nota digna de registo: a montagem é soberba, tornando o filme mais fluido e "suspenseful", com os constantes "forwards". À excepção deste rasgo técnico, tudo o resto é o que já vimos.

Embora ainda agora não esteja certo se Kidman é a escolha mais correcta para este tipo de papel - a actriz é tão "bloco de gelo" que mais parece alinhar pelo bloco extraterrestre -, a australiana oscarizada tem aqui, talvez por essa característica, uma das melhores interpretações da sua carreira. Provavelmente, "A Invasão" não necessita de uma mulher vulnerável, mas cerebral o suficiente para discernir as potencialidades de sobrevivência a contra-relógio. E nisso, Kidman é exemplar.

Ao invés, não se entende muito bem o que faz ali Daniel Craig. Par romântico? Talvez, mas pouco. "Sidekick"? Talvez, mas muito pouco. O actor entra e sai de cena a uma velocidade espantosa - provavelmente, porque foi durante a rodagem do filme que soube que iria substituir Pierce Brosnan como James Bond e ausentou-se para intermináveis reuniões com a família Broccoli. No cômputo geral, é Nicole Kidman que sustenta todo o filme, que poderia ser mais "dark" e viscoso e não tão depurado, high-tech e... azul-cinza. 3 estrelitas

Thursday, November 1, 2007

"A Outra Margem": crítica


Luis Filipe Rocha é um dos - senão o mais - interessante cineasta português. Do drama político "Camarate" aos comoventes "Adeus, Pai" e "A Passagem da Noite", o pouco fecundo cineasta (só dirigiu dez filmes) prova com "A Outra Margem" ser dono de uma sensibilidade invulgar para contar histórias portuguesas... com cunho universal.

Ricardo, um travesti homossexual, perdeu o amor da sua vida. Ele, que tinha fugido da terra há 16 anos, em vésperas de um casamento preparado pelas amarras sociais daquele meio claustrofóbico e preconceituoso, afunda-se na solidão e tenta o suicídio. Maria, que não recebia notícias do irmão desde então, viaja para Lisboa para resgatar Ricardo para a vida. E convida-o a recuperar em sua casa, que partilha com o filho, Vasco, um adolescente com trissomia 21 que trabalha num ginásio. Neste regresso ao passado, tio e sobrinho, dois desconhecidos para quem todos sonharam a "normalidade" estabelecem uma relação de amor incondicional.

"A Outra Margem" é um filme sobre a perda, e como as circunstâncias que daí surgem podem estancar o sofrimento e devolver-nos à vida - à semelhança de "O Quarto do Filho", de Nanni Moretti, curiosamente referenciado no filme de Luís Filipe Rocha. Emocionalmente genuíno, a história é passível de provocar lágrimas no mais empedernido dos espectadores, não porque as personagens sufoquem em choro ou se abracem ao som de música melosa. São os silêncios cortantes e a sinceridade das representações das pessoas da terra que emocionam.

"A Outra Margem" é também um filme de actores, e Filipe Duarte e Tomás Almeida, vencedores ex-aequo do prémio no Festival de Cinema do Mundo de Montréal são inseparavelmente a engrenagem desta história. O primeiro foi hábil na construção da sua personagem, livrando-a dos "clichés" ou dos exageros do costume. A sua expressão facial, o sorriso, o que diz e como diz - muito pouco para o que se adivinha que vai lá dentro - formam um trabalho pouco usual no panorama nacional, colocando-o ao nível do melhor que se faz lá fora. Mas seria injusto não sublinhar as prestações de Maria D'Aires, uma das melhores e menos aproveitadas actrizes portuguesas e da surpreendente Sara Graça, a noiva que nunca conseguiu ultrapassar a rejeição.

Da sequência de abertura, um triunfo técnico e emocional, milimetricamente planeado, à fotografia, que enaltece as belezas do país, passando pela selecção cuidada dos actores secundários, todos eles convincentes, fazem deste retrato social um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos, só secundado pelo brilhante "Alice". 4 estrelitas


Rewind, sff!


Que Michel Gondry, realizador de "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" e "A Ciência dos Sonhos", parece filmar sob efeito de ácidos, não é novidade para ninguém. Agora, o criativo cineasta francês parece ter aumentado a dose, a atestar pelo trailer do seu novo filme, "Be Kind Rewind", que estreia em 2008 nos EUA. No mínimo... alucinado.

Friday, October 26, 2007

"Rescue Dawn": a crítica


Quando um realizador europeu pega numa história verídica norte-americana, o que podemos esperar? Um intercâmbio de competências. É o que acontece em "Rescue Dawn - Espírito Indomável", um filme bélico "old fashion" brilhantemente escrito e realizado.

Em 1965, o Mundo ainda não sonhava com as proporções que a guerra do Vietname iria assumir dentro de poucos anos. Mas os Estados Unidos já tinham em marcha operações secretas de extermínio de alvos estratégicos, na fronteira com o Laos. O tenente Dieter Dengler só queria voar. Mas na sua primeira missão, a aeronave é alvejada e o militar cai em território inimigo. Aprisionado num campo de concentração feito em bambú, aquele homem obstinado luta pela sua sobrevivência. Até ao fim e nos limites da condição humana.

"Papillon", o clássico de Franklin J. Schaffner, foi o primeiro filme que me veio à memória à medida que Dieter (Christian Bale no seu melhor papel até à data) concebia o seu plano de fuga, aparentemente tão estapafúrdio como o de Dustin Hoffman a contar as marés para escapar para mar alto encavalitado numa jangada rudimentar. É precisamente sem rasgos de câmara nem recurso a efeitos especiais (basta a beleza natural do Laos) que Herzog filma esta luta pela sobrevivência. E o estilo antiquado assenta-lhe como uma luva.

Herzog, que também escreveu o argumento, construiu personagens complexas que reagem ao meio doentio e atroz em que vivem. Há motivos para a paixão do realizador Werner Herzog pelo percurso do tenente Dieter Dengler: embora ao serviço do exército dos EUA, o oficial era natural da Alemanha, país do director do aclamado "Grizzly Man". Este é um trabalho de paixão e isso é notório em todos os frames. Os seus retratos de loucura (Jeremy Davies e Steve Zahn, cadavéricos e completamente entregues às suas personagens) são palpáveis, e o protagonista, um brincalhão que vai progressivamente evoluindo para a paranóia suscitada pelo isolamento da selva são raros neste tipo de filme. O final adocicado e americanizado é o único senão, mas não suficiente para arruinar um filme de guerra humanizado, mas não por isso menos trepidante. 4 estrelitas.


Monday, October 22, 2007

Manual macabro


"Manual de Instruções para Crimes Banais" ("Man Bites Dog" ou "C'est arrivé près de chez vous") é um filme de culto belga. A cena que se segue é hilariante - e macabra. Ora vejam...


"As Canções de Amor": crítica


"As Canções de Amor" é a maior tragédia romântica dos últimos anos. E também a mais amoral. Este musical de Christophe Honoré é um triunfo pela sua simplicidade - obrigatório, portanto.

O produtor Paulo Branco tem finalmente motivos para sentir orgulho numa obra onde aplicou o seu dinheiro. "Les Chansons D'Amour", que segue a trajectória interior de um triângulo amoroso, é o mais belo filme que vi este ano - e já bisei. Mas como em qualquer trio, o amor não é uniforme, e Ismäel e Julie, embora vivam uma relação estafada, constituem a locomotiva emocional. Como canta Alice, o terceiro vértice, "eu sou [apenas] a ponte entre as duas margens". Não vale a pena contar muito mais, para que a história não fique orfã de encanto. Mas deixem-me adiantar-vos que em "As Canções de Amor" há perda, reencontro e... Paris.

O drama musical do francês Christophe Honoré é um deleite, para a visão e para os ouvidos. Os protagonistas libertam os seus estados de espírito a cantar, tão ou mais naturalmente que em "Dancer in the Dark", de Lars Von Trier. As letras e música são belíssimas - esqueçam a voz pois, embora competentes, os actores limitam-se a sussurrar.

Mas a grande virtude desta obra romântica é espraiar-se sobre o amor sem condicionalismos. Pessoas amam pessoas, ponto final. Não há espaço para falsos moralismos, e as personagens reagem com ponderação e contenção às mais inusitadas expressões amorosas. Muitas destas sequências podem provocar desconforto na mente mais conservadora mas... olhem, aguentem-se! Nenhuma das cenas é gratuita, antes poética. Os corpos fundem-se, as vozes entoam em coro, e dá vontade de ser assim, de discutir a cantar. Provavelmente, teríamos todos mais amor. 5 estrelitas

Sunday, October 21, 2007

"A Estranha Em Mim": Crítica


Mesmo com Neil Jordan ao leme, "A Estranha em Mim" ("The Brave One") resulta num thriller banal, previsível e repleto de coincidências convenientes que retiram credibilidade ao argumento. Felizmente, está lá Jodie Foster para safar a onça.

Erika Bain, locutora de um programa de rádio, vive um romance idílico com um médico. Numa noite em que passeiam o cão em Central Park, Nova Iorque, o casal é selvativamente agredido por um bando de rufias. Ela sobrevive, ele morre. Quando Erika acorda de um coma de três semanas, já o noivo foi a enterrar. Despedaçada, aquela mulher que costumava calcorrear a cidade a gravar sons e a escrever belos textos sobre Nova Iorque descobre que já não é a mesma. E a sede de vingança transforma-a numa espécie de vigilante nocturno que aniquila a escumalha semeadora do medo.

Este argumento - que poderia ter sido escrito para Charles Bronson -, foi parar às mãos do aclamado realizador de "Jogo de Lágrimas" e "Breakfast in Pluto", dois excelentes exemplos da capacidade indiscutível do irlandês para criar bom cinema - ambos ambientados no seu país. Mas uma vez a trabalhar com os estúdios norte-americanos, Jordan parece perder o cunho pessoal e acaba por ser tão eficiente como qualquer realizador mediano a operar na indústria. É o que acontece em "The Brave One".

Mas o principal problema reside na história. A ideia não é original - recordo-me de um punhado de filmes dos anos 80 com a mesma premissa, protagonizados pelos durões Bronson ou Seagall -, mas neste caso há uma sucessão de coincidências e facilitismos para ajudar à sua concretização. No espaço de poucas semanas, acontece a Erika o que a um comum mortal apenas sucede uma vez na vida: entra numa loja de conveniência e a empregada é assassinada a sangue-frio; anda de metro e é ameaçada com uma faca borboleta por dois negros; percorre as ruas e encontra uma prostituta (a promissora filha de Lenny Kravitz) moribunda nas traseiras do carro de um chulo... e por aí fora. Se há alguém realmente azarado, chama-se Erika Bain. Por outro lado, a investigação levada a cabo pelo carismático Terrence Howard é demasiado facilitada: o inspector estabelece de imediato paralelo entre os sucessivos homicídios, mas tarda a descobrir quem é o autor, quando Erika não é propriamente a mais cautelosa de todos os assassinos.


Jodie Foster é o motor de tudo isto. Não fosse o seu magnetismo natural - não nos cansamos de a ver -, e este filme estaria perdido. Foster é, sem margem para discussão, uma das melhores actrizes norte-americanas de sempre e das poucas capaz de tão eficientemente usar a voz e a expressão corporal e do rosto para transmitir o turbilhão interno das suas personagens. Ela, que é especialista em mulher "outsiders", normalmente frágeis que progressivamente se transformam em heroínas, brilha aqui como poucas conseguiriam fazê-lo. E, só por isso, "the Brava One" vale 3 estrelitas.


Wednesday, October 17, 2007

"Expiação" finalmente no cinema


"Expiação", o grande romance de Ian McEwan, tornou-se filme. E parece que dos bons. Com Keira Knightley e James McAvoy.


Sunday, October 14, 2007

Que raio...


O filme é realizado pelo aclamado Mike Newell, a partir do romance do nobelizado Gabriel Garcia Márquez e com um elenco de luxo, de Javier Bardem a Catalina Sandino Moreno, passando pela brasileira Fernanda Montenegro. Com tantos predicados, este "Amor em Tempos de Cólera" não merecia um trailer oficial mais apelativo?


Quando é que isto pára?


Ainda "Saw IV" não estreou e os estúdios já têm o quinto episódio da saga quase integralmente alinhavado. Parece que as filmagens vão ter início em Janeiro e a estreia está prevista para Outubro de 2008. David Hackl, o novo realizador, já falou sobre "Saw V".

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